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20.9.11

REBELO, Marques. A estrela sobe

O céu estava de um azul muito escuro, estrelado. Nunca lhe pareceu tão imenso, tão infinito. Que haveria para além das estrelas? Um arrepio percorreu-lhe o corpo. O coração bateu-lhe com mais intensidade – tinha medo da morte, do fatal aniquilamento, da cova fria. E as estrelas brilhavam. E a Via Láctea era um caminho branco no céu. Pelo branco caminho é que as almas trilhavam. Pelo branco caminho, um dia, sua alma trilharia... O medo voltou. Mas voltou sem sobressaltá-la. Nem era mais medo, mas uma comoção mansa, serena, duma serenidade de canto religioso, de alma que encontra o infinito. Morrer? Sim, morreria. Ficaria dura, muda, fria, imóvel, para sempre fria e imóvel. Os seus pés, as suas mãos, os seus olhos, o seu corpo, um dia, desapareceriam consumidos pela terra inexorável. Um dia, ninguém mais se lembraria dela. Ninguém!... Sentiu qualquer coisa de terrível e injusto – ninguém!... A vida dos homens passa como uma sombra.

18.4.11

RIO, João do. A alma encantadora das ruas

A tatuagem é a inviolabilidade do corpo e a história das paixões. Esses riscos nas peles dos homens e das mulheres dizem as suas aspirações, as suas horas de ócio e a fantasia da sua arte e a crença na eternidade dos sentimentos - são a exteriorização da alma de quem os traz.
RIO, João do. A alma encantadora das ruas

Oh! sim, as ruas têm alma! Há ruas honestas, ruas ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas, trágicas, depravadas, puras, infames, ruas sem história, ruas tão velhas que bastam para contar a evolução de uma cidade inteira, ruas guerreiras, revoltosas, medrosas, spleenéticas, snobs, ruas aristocráticas, ruas amorosas, ruas covardes, que ficam sem pinga de sangue...

2.7.10

GORKI, Maximo. A mãe

Não se pode matar uma alma ressuscitada!