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2.6.12


HAWTHORNE, Nathaniel. The scarlet letter

Moonlight, in a familiar room, falling so white upon the carpet, and showing all its figures so distinctly, -- making every object so minutely visible, yet so unlike a morning or noontide visibility, -- is a medium the most suitable for a romance-writer to get acquainted with his illusive guests. […] Thus, therefore, the floor of our familiar room has become a neutral territory, somewhere between the real world and fairy-land, where the Actual and the Imaginary may meet, and each imbue itself with the nature of the other.

16.5.12

LOBATO, Monteiro. Memórias da Emília

Bem sei que tudo na vida não passa de mentiras, e sei também que é nas memórias que os homens mentem mais. Quem escreve memórias arruma as coisas de jeito que o leitor fique fazendo uma alta ideia do escrevedor. Mas para isso ele não pode dizer a verdade, porque senão o leitor fica vendo que era um homem igual aos outros. Logo, tem de mentir com muita manha, para dar ideia de que esta falando a verdade pura. 

5.7.11

BORGES, Jorge Luis. O fazedor

Nos mercados populosos ou no sopé de uma montanha de cumeada incerta, na qual podia perfeitamente haver sátiros, escutara complicadas histórias, que recebeu como recebia a realidade, sem perguntar se eram verdadeiras ou falsas.

19.5.11

LISPECTOR, Clarice. Água viva

Eu é que estou escutando o assobio no escuro. Eu que sou doente da condição humana. Eu me revolto: não quero mais ser gente. Quem? Quem tem misericórdia de nós que sabemos sobre a vida e a morte quando um animal que eu profundamente invejo – é inconsciente de sua condição? Quem tem piedade de nós? Somos uns abandonados? Uns entregues ao desespero? Não, tem que haver um consolo possível. Juro: tem que haver. Eu não tenho é coragem de dizer a verdade que nós sabemos. Há palavras proibidas.
LISPECTOR, Clarice. Água viva

Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.

25.4.11

HATOUM, Milton. Relato de um certo oriente

Era como se inventasse uma verdade duvidosa que pertencia a ele e a outros. Fiquei surpreso com essas coincidências, mas, afinal, o tempo acaba borrando as diferenças entre a vida e um livro. E, além disso, o que surpreende um homem hoje deverá surpreender, algum dia, toda a humanidade.

18.4.11

YOURCENAR, Marguerite. Caderno de notas das Memórias de Adriano

O que não significa, como se diz exageradamente, que a verdade histórica seja sempre e em tudo inacessível. Acontece com essa verdade o mesmo que com todas as outras: enganamo-nos mais ou menos.
YOURCENAR, Marguerite. Memórias de Adriano

A verdade que pretendo narrar aqui não é particularmente escandalosa, ou melhor, não o é senão na medida em que toda verdade escandaliza.

1.9.10

PROUST, Marcel. Sobre a leitura

Mas por uma lei singular e, aliás, providencial da ótica dos espíritos (lei que talvez signifique que não podemos receber a verdade de ninguém e que devemos criá-la nós mesmos), o que é o fim de sua sabedoria não nos aparece senão como o começo da nossa, de sorte que é no momento em que eles nos disseram tudo que podiam nos dizer que fazem nascer em nós o sentimento de que ainda nada disseram.

24.7.10

FONSECA, Rubem. Agosto

Na sua lógica, o conhecimento da verdade e a apreensão da realidade só podiam ser alcançados duvidando-se da própria lógica e até mesmo da realidade.

11.7.10

SHERAZADE.

Quando conto uma mentira não estarei restaurando uma verdade mais antiga?