HAWTHORNE,
Nathaniel. The scarlet letter
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2.6.12
16.5.12
LOBATO, Monteiro. Memórias da Emília
Bem sei que tudo na vida não passa de mentiras, e sei também
que é nas memórias que os homens mentem mais. Quem escreve memórias arruma as
coisas de jeito que o leitor fique fazendo uma alta ideia do escrevedor. Mas
para isso ele não pode dizer a verdade, porque senão o leitor fica vendo que
era um homem igual aos outros. Logo, tem de mentir com muita manha, para dar
ideia de que esta falando a verdade pura.
5.7.11
19.5.11
LISPECTOR, Clarice. Água viva
Eu é que estou escutando o assobio no escuro. Eu que sou doente da condição humana. Eu me revolto: não quero mais ser gente. Quem? Quem tem misericórdia de nós que sabemos sobre a vida e a morte quando um animal que eu profundamente invejo – é inconsciente de sua condição? Quem tem piedade de nós? Somos uns abandonados? Uns entregues ao desespero? Não, tem que haver um consolo possível. Juro: tem que haver. Eu não tenho é coragem de dizer a verdade que nós sabemos. Há palavras proibidas.
25.4.11
HATOUM, Milton. Relato de um certo oriente
Era como se inventasse uma verdade duvidosa que pertencia a ele e a outros. Fiquei surpreso com essas coincidências, mas, afinal, o tempo acaba borrando as diferenças entre a vida e um livro. E, além disso, o que surpreende um homem hoje deverá surpreender, algum dia, toda a humanidade.
18.4.11
1.9.10
PROUST, Marcel. Sobre a leitura
Mas por uma lei singular e, aliás, providencial da ótica dos espíritos (lei que talvez signifique que não podemos receber a verdade de ninguém e que devemos criá-la nós mesmos), o que é o fim de sua sabedoria não nos aparece senão como o começo da nossa, de sorte que é no momento em que eles nos disseram tudo que podiam nos dizer que fazem nascer em nós o sentimento de que ainda nada disseram.
Mas por uma lei singular e, aliás, providencial da ótica dos espíritos (lei que talvez signifique que não podemos receber a verdade de ninguém e que devemos criá-la nós mesmos), o que é o fim de sua sabedoria não nos aparece senão como o começo da nossa, de sorte que é no momento em que eles nos disseram tudo que podiam nos dizer que fazem nascer em nós o sentimento de que ainda nada disseram.
24.7.10
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