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21.3.12

WOOLF, Virginia. O quarto de Jacob

Quer o censuremos ou elogiemos, não há como negar o cavalo selvagem que trazemos dentro de nós. Ele galopa desenfreado; cai na areia, exausto; sente a terra girar; tem – sem dúvida – um impulso de afeto para co pedras e relvas, como se a humanidade tivesse acabado; e quanto aos homens e mulheres, vamos esquecê-los – não podemos ignorar o fato de que tal desejo muitas vezes nos domina.

19.3.12

CALVINO, Italo. As cidades invisíveis

Anastácia, cidade enganosa, tem um poder, que às vezes se diz maligno e outras vezes benigno: se você trabalha oito horas por dia como minerador de ágatas ônix crisóprasos, a fadiga que dá forma aos seus desejos toma dos desejos a sua forma, e você acha que está se divertindo em Anastácia quando não passa de seu escravo.

7.2.12

SARAMAGO, José. Claraboia

Ter não é possuir. Pode ter-se até aquilo que se não deseja. A posse é ter e o desfrutar o que se tem. Tinha uma casa, uma mulher e um filho, mas nada era, efetivamente, seu. De seu, só tinha a si mesmo, e não completamente.

18.4.11

KUNDERA, Milan. A insustentável leveza do ser

Aquele que deseja continuamente elevar-se deve esperar um dia pela vertigem. O que é a vertigem? O medo de cair? Mas por que sentimos vertigem num mirante cercado por uma balaustrada? A vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio embaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual logo nos defendemos aterrorizados...

2.7.10

ENDE, Michael. A história sem fim

E numa noite em que estavam os dois sentados conversando, ele falou nisso à Dama Aiuola.
Depois de tê-lo escutado, ela se calou durante um bom tempo. Tinha o olhar fito em Bastian, com uma expressão que ele não compreendia.
- Você encontrou seu último desejo, disse ela. Sua verdadeira Vontade é amar.
- Mas por que eu não sou capaz de amar, Dama Aiuola?
- Só poderá fazê-lo quando tiver bebido das Águas da Vida, respondeu ela, e não pode voltar ao seu mundo sem levar dessa água a um outro.
Bastian calou-se perplexo.
- E você?, perguntou. Já não bebeu dessa água?
- Não, disse a Dama Aiuola, eu sou diferente. Só preciso de alguém a quem possa dar o que tenho de mais.
- Então, não era amor aquilo que me devotou?
A Dama Aiuola refletiu um instante e depois replicou:
- Era o que você desejou para si.
- Será que os seres de Fantasia não podem amar... tal como acontece comigo?, perguntou ele, temeroso.
- Digamos, respondeu ela baixinho, que há algumas criaturas em Fantasia que podem beber das Águas da Vida. Mas ninguém sabe quem são elas. E há uma profecia, de que raramente falamos, segundo a qual, num futuro longínquo, chegará o dia em que os homens trarão o amor a Fantasia. Nesse dia, os dois mundos serão um só. Mas eu não sei o que isso quer dizer.