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24.4.12


PAZ, Octavio. Os filhos do barro

A história de cada literatura e de cada arte, a história de cada cultura, pode dividir-se entre imitações felizes e imitações infelizes. 

21.3.12

WOOLF, Virginia. O quarto de Jacob

É assim que vivemos, dizem, impulsionados por uma força inapreensível. Dizem que os romancistas jamais a captam; que ela prossegue em disparada através de suas malhas e as rasga em trapos. É disso que vivemos – dizem –, dessa força inapreensível.

9.11.11

CHKLOVSKI. Os formalistas russos

Se examinarmos as leis gerais da percepção, vemos que, uma vez tornadas habituais, as ações tornam-se também automáticas (...). E eis que para devolver a sensação de vida, para sentir os objetos, para provar que pedra é pedra, existe o que se chama arte. O objetivo da arte é dar a sensação do objeto como visão e não como reconhecimento; o procedimento da arte é o procedimento da singularização dos objetos e (...) consiste em obscurecer a forma, aumentar a dificuldade e a duração da percepção.

15.9.11

AMADO, Jorge. O país do carnaval

- O caso das nossas gerações é o mesmo que o da literatura de antes e de depois da Guerra... Uma literatura de frases: a outra, literatura de idéias.

- Não é assim. Mas, mesmo que fosse, eu ficaria com a literatura de antes da Guerra. Eu, quando leio um artigo, não quero saber se o seu autor tem ou não boas idéias, se é ou não útil. O que eu quero saber é se ele é ou não escritor, se escreve bem ou mal. Mas a verdade é que a literatura anatoliana tinha também idéias. Dava soluções. Mandava que se duvidasse sempre. É ou não uma solução? Colocava a Beleza acima de todas as coisas. Vocês aceitam Deus porque Deus é útil. Nós o negávamos porque achávamos que ele não satisfazia nosso ideal estético.

- Vocês eram terrivelmente egoístas. Ególatras, às vezes.

- E vocês praticam o egoísmo na sua forma mais torpe: o humanitarismo. Nós queríamos a aristocracia do talento, do espírito. Vocês hoje pleiteiam a aristocracia da força. Vocês fazem com que a inteligência abra falência... Só a cultura fica valendo alguma coisa. Porque só a cultura é útil.

- Mas vocês foram fracassados.

- Sim, porque toda vitória na vida é um fracasso na Arte...

- Já passou a época dos paradoxos, Ticiano.

- É verdade. E chegou a das citações...

5.7.11

BORGES, Jorge Luis. O fazedor

ARTE POÉTICA

Mirar o rio, que é de tempo e água,
E recordar que o tempo é outro rio,
Saber que nos perdemos como o rio
E que passam os rostos como água.

E sentir que a vigília é outro sonho
Que sonha não sonhar, sentir que a morte,
Que a nossa carne teme, é essa morte
De cada noite, que se chama sonho.

E ver no dia ou ver no ano um símbolo
Desses dias do homem, de seus anos,
E converter o ultraje desses anos
Em uma música, um rumor e um símbolo.

E ver na morte o sonho, e ver no ocaso
Um triste ouro, e assim é a poesia,
Que é imortal e pobre. A poesia
Retorna como a aurora e o ocaso.

Às vezes, pelas tardes, uma face
Nos observa do fundo de um espelho;
A arte deve ser como esse espelho
Que nos revela nossa própria face.

Contam que Ulisses, farto de prodígios,
Chorou de amor ao avistar sua Ítaca
Humilde e verde. A arte é essa Ítaca
De um eterno verdor, não de prodígios.

Também é como o rio interminável
Que passa e fica e que é cristal de um mesmo
Heráclito inconstante que é o mesmo
E é outro, como o rio interminável.

29.5.11

BARBERY, Muriel. A elegância do ouriço

Nesse ofensa feita ao ritmo sagrado da vida, nessa marcha contrariada, na excelência nascida do constrangimento, teremos um paradigma da Arte.
BARBERY, Muriel. A elegância do ouriço

Fora o amor, a amizade e a beleza da Arte, não vejo muitas outras coisas capazes de alimentar a vida humana.

1.5.11

BISHOP, Elizabeth. Uma arte

A arte de perder não é
nenhum mistério
tantas coisas contém em
si o acidente
de perdê-las, que perder
não é nada sério. (...)

Perdi duas cidades
lindas. Um império
que era meu, dois rios, e
mais um continente.
Tenho saudade deles.
Mas não é nada sério.

18.4.11

RIO, João do. A alma encantadora das ruas

Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o inútil para ser artístico.

16.11.10

HAUSER, Arnold. Introducción a la historia del arte

El arte sólo tiene algo a decir a quién le dirige preguntas: para quién es mudo el arte es mudo también.