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21.3.12

WOOLF, Virginia. O quarto de Jacob

Não são catástrofes, assassinatos, mortes e enfermidades que nos envelhecem e matam; é o modo como as pessoas olham e riem, e sobem correndo os degraus dos ônibus.

17.9.11

LIMA, Luiz Costa. Intervenções

Nenhum discurso sobre a morte satisfaz porque nenhuma aprendizagem para a morte é o bastante.

5.7.11

BORGES, Jorge Luis. O fazedor

ARTE POÉTICA

Mirar o rio, que é de tempo e água,
E recordar que o tempo é outro rio,
Saber que nos perdemos como o rio
E que passam os rostos como água.

E sentir que a vigília é outro sonho
Que sonha não sonhar, sentir que a morte,
Que a nossa carne teme, é essa morte
De cada noite, que se chama sonho.

E ver no dia ou ver no ano um símbolo
Desses dias do homem, de seus anos,
E converter o ultraje desses anos
Em uma música, um rumor e um símbolo.

E ver na morte o sonho, e ver no ocaso
Um triste ouro, e assim é a poesia,
Que é imortal e pobre. A poesia
Retorna como a aurora e o ocaso.

Às vezes, pelas tardes, uma face
Nos observa do fundo de um espelho;
A arte deve ser como esse espelho
Que nos revela nossa própria face.

Contam que Ulisses, farto de prodígios,
Chorou de amor ao avistar sua Ítaca
Humilde e verde. A arte é essa Ítaca
De um eterno verdor, não de prodígios.

Também é como o rio interminável
Que passa e fica e que é cristal de um mesmo
Heráclito inconstante que é o mesmo
E é outro, como o rio interminável.

29.5.11

BARBERY, Muriel. A elegância do ouriço

Estar vivo talvez seja isto: espreitar os instantes que morrem.

20.5.11

LISPECTOR, Clarice. Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres

Viver na orla da morte e das estrelas é vibração mais tensa do que as veias podem suportar. Não há sequer um filho de astro e de mulher como intermediário piedoso. O coração tem que se apresentar diante do Nada sozinho e sozinho bater em silêncio de uma taquicardia nas trevas. Só se sente nos ouvidos o próprio coração. Quando este se apresenta todo nu, nem é comunicação, é submissão. Pois nós fomos feitos senão para o pequeno silêncio, não para o silêncio astral.

19.5.11

LISPECTOR, Clarice. A bela e a fera

Tudo servia-lhe de partida. Um pássaro que voava, lhe lembrava terras desconhecidas, fazia respirar seu velho sonho de fuga. De pensamento a pensamento, inconscientemente dirigido para o mesmo fim, chegava à noção de sua covardia, revelada não só neste constante desejo de fugir, de não se unir às coisas para não lutar por elas, como na incapacidade de realizá-lo, já que o concebia, espedaçando sem piedade o humilhante bom senso que lhe prendia o vôo. Esse dueto consigo mesmo era o reflexo de sua essência, descobria, e por isso continuaria por toda a sua vida... Daí fácil tornava-se esboçar o futuro, longo, arquejante, trôpego, até o fim implacável – a morte. Só isso e atingira aquilo a que sua tendência o guiava: o sofrimento.
LISPECTOR, Clarice. Água viva

Aliás não quero morrer. Recuso-me contra “Deus”. Vamos não morrer como desafio?Não vou morrer, ouviu, Deus? Não tenho coragem, ouviu? Não me mate, ouviu? Porque é uma infâmia nascer para morrer não se sabe quando nem onde. Vou ficar alegre, ouviu? Como resposta, como insulto. Uma coisa eu garanto: nós não somos culpados. E preciso entender enquanto estou viva, ouviu? Porque depois será tarde demais.

18.4.11

YOURCENAR, Marguerite. Memórias de Adriano

A memória da maior parte dos homens é um cemitério abandonado, onde jazem, sem honras, os mortos que eles deixaram de amar. Toda dor prolongada é um insulto ao seu esquecimento.

2.7.10

GORKI, Maximo. A mãe

Não se pode matar uma alma ressuscitada!

1.7.10

ROSENFELD, Anatol. Literatura e personagem

Um homem só nos é conhecido quando morre.