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19.3.12

CALVINO, Italo. As cidades invisíveis

As margens da memória, uma vez fixadas com palavras, cancelam-se — disse Polo. — Pode ser que eu tenha medo de repentinamente perder Veneza, se falar a respeito dela. Ou pode ser que, falando de outras cidades, já a tenha perdido pouco a pouco.
CALVINO, Italo. As cidades invisíveis

A cidade é redundante: repete-se para fixar alguma imagem na mente. [...] A memória é redundante: repete os símbolos para que a cidade comece a existir.

7.2.12

LA BRUYÈRE. Caractères

Tudo esta dito, e chegamos demasiado tarde, há mais de sete mil anos que há homens, e que pensam.
SAMOYAULT, Tiphaine. A intertextualidade

A literatura se escreve com a lembrança daquilo que é, daquilo que foi.
LARBEAU, Valéry. Sous l'invocation de Saint Jérôme

O fato mesmo de que isto, este verso, esta frase entre aspas venha de outro lugar, alarga o horizonte intelectual que traço em torno do leitor. É um apelo ou antes uma chamada, uma comunicação estabelecida: toda a Poesia, todo o tesouro da literatura evocados brevemente, relacionados com minha obra no pensamento daquele que lê.

25.4.11

HATOUM, Milton. Relato de um certo oriente

O olhar torna ínfima a distância entra as duas casas, e, no silêncio do olhar, a memória trabalha.
HATOUM, Milton. Relato de um certo oriente

A vida começa verdadeiramente com a memória.

18.4.11

YOURCENAR, Marguerite. Memórias de Adriano

A memória da maior parte dos homens é um cemitério abandonado, onde jazem, sem honras, os mortos que eles deixaram de amar. Toda dor prolongada é um insulto ao seu esquecimento.