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21.3.12

WOOLF, Virginia. O quarto de Jacob

Pensemos em cartas – em como chegam na hora do café da manhã e à noite, com seus selos amarelos e verdes, imortalizados pelo carimbo postal – pois ver o nosso próprio envelope na mesa de outra pessoa é entender com que rapidez nossos textos nos deixam e se tornam alheios. O poder da mente de abandonar o corpo é fato óbvio, e talvez tenhamos medo, ou ódio, ou desejemos aniquilar esse fantasma de nós mesmos jazendo ali na mesa. Ainda assim, há cartas que simplesmente dizem sobre tal jantar às sete; outras encomendam carvão; ou marcam encontros. A mão que as escreveu é quase imperceptível – quanto mais a voz ou a expressão do olhar. Ah, mas quando o carteiro bate e a carta chega, o milagre parece sempre repetido – a linguagem que tanta falar. Veneráveis são as cartas, infinitamente audaciosas, desamparadas, e perdidas.
WOOLF, Virginia. O quarto de Jacob

Não são catástrofes, assassinatos, mortes e enfermidades que nos envelhecem e matam; é o modo como as pessoas olham e riem, e sobem correndo os degraus dos ônibus.
WOOLF, Virginia. O quarto de Jacob

Parece, portanto, que homens e mulheres falham igualmente. Parece que não conhecemos em absoluto uma opinião profunda, imparcial e absolutamente justa sobre nossos próximos. Ou somos homens, ou somos mulheres. Ou somos frios, ou somos sentimentais. Ou somos jovens, ou estamos envelhecendo. Em qualquer caso, a vida não senão uma procissão de sombras, e sabe Deus por que as abraçamos tão avidamente e as vemos partir com tal angústia, já que não passam de sombras. E por que, se isso e muito mais é verdade, por que ainda assim nos surpreendemos no canto da janela com a inesperada visão de que o rapaz na cadeira é, entre todas as coisas do mundo, a mais sólida, a mais real, a que melhor conhecemos – sim, por que? – Pois, no momento seguinte, já nada sabemos sobre ele.