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19.3.12

CALVINO, Italo. As cidades invisíveis

As cidades também acreditam ser obra da mente ou do acaso, mas nem um nem o outro bastam para sustentar as suas muralhas. De uma cidade, não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete maravilhas, mas a resposta que dá às nossas perguntas.

11.1.12

STEVENSON, Robert Louis. Dr. Jekyll and Mr. Hyde

I feel very strongly about putting questions; it partakes too much of the style of the day of judgement. You start a question, and it's like starting a stone. You sit quietly on the top of a hill; and away the stone goes, starting others; and presently some bland old bird (the last one you would have thought of) is knocked on the head in his own back garden, and the family have to change their name. No, sir, I make it a rule of mine: the more it looks like Queer Street, the less I ask.

20.5.11

LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela

Com esta história eu vou me sensibilizar, e bem sei que cada dia é um dia roubado da morte. Eu não sou um intelectual, escrevo com o corpo. E o que escrevo é uma névoa úmida. As palavras são sons transfundidos de sombras que se entrecruzam desiguais, estalactites, renda, música transfigurada de órgão. Mal ouso clamar palavras a essa rede vibrante e rica, mórbida e obscura tendo como contratom o baixo grosso da dor. Alegro com brio. Tentarei tirar ouro do carvão. Sei que estou adiando a história e que brinco de bola sem a bola. O fato é um ato? Juro que este livro é feito sem palavras. É uma fotografia muda. Este livro é um silêncio. Este livro é uma pergunta.
LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela

Quero antes afiançar que essa moça não se conhece senão através de ir vivendo à toa. Se tivesse a tolice de se perguntar “quem sou eu?” cairia estatelada e em cheio no chão. É que “quem sou eu?” provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto.

16.11.10

HAUSER, Arnold. Introducción a la historia del arte

El arte sólo tiene algo a decir a quién le dirige preguntas: para quién es mudo el arte es mudo también.