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7.2.12

NODIER, Charles. Questions de littérature légale

E vocês querem que eu, plagiário dos plagiários de Sterne
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Que foi plagiário de Swift --
Que foi plagiário de Wilkins --
Que foi plagiário de Cyrano --
Que foi plagiário de Reboul --
Que foi plagiário de Guillaume des Autels --
Que foi plagiário de Rabelais --
Que foi plagiário de Morus --
Que foi plagiário de Erasmo --
Que foi plagiário de Lucien -- ou de Lucius de Patras -- ou de Apuleio -- pois não se sabe qual dos três foi roubado pelos dois outros, e nunca me preocupei em sabê-lo...
Vocês gostariam, repito, que eu inventasse a forma e o fundo de um livro! Que o céu me ajude! Condillac diz em algum lugar que seria mais fácil criar um mundo do que criar uma ideia.
E é também opinião de Polydore Virgile e de Bruscambille.

20.5.11

LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela

Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.

25.4.11

HATOUM, Milton. Relato de um certo oriente

a distância é um antídoto contra o mundo real e o mundo visível.

31.7.10

MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura

Dizer que um autor é um leitor, ou um leitor, um autor, considerar um livro como um ser humano ou um ser humano como um livro, descrever o mundo como texto ou um texto como o mundo são formas de nomear a arte do leitor.

2.7.10

GOGOL, Nicolai. Almas mortas

- Muitos erros foram cometidos no mundo, erros que hoje, parece, nem uma criança cometeria. Que caminhos tortuosos, obtusos, estreitos, impraticáveis, caminhos que a desviavam para longe, escolheu a humanidade, na ânsia de atingir a verdade eterna, quando diante dela se descortinava uma estrada ampla e reta como o caminho que leva ao santuário magnífico designado para a morada do rei. Era um caminho mais largo e suntuoso que todos os outros caminhos, inundado de sol e iluminado por fogos a noite inteira – mas os homens passavam ao largo dele, mergulhados em trevas espessas. E quantas vezes, já levados para ele pela providência divina, ainda eles conseguiram desviar-se e perder-se, conseguiram, em plena luz do dia, afundar-se novamente em brenhas intransponíveis, souberam novamente cegar de fumaça os próprios olhos, e, arrastando-se no encalço de fogos-fátuos, conseguiram, enfim, chegar até a beira do abismo, para depois, cheios de horror, perguntarem uns aos outros: onde está a saída, onde está o caminho?
- Agora, a geração presente vê tudo com clareza, espanta-se com os erros e zomba da insensatez dos seus antepassados, sem ver que esta crônica foi escrita com o fogo celeste, que cada uma das suas letras branda, que de todos os lados um dedo acusador aponta para ela, para ela mesma, a geração presente. Mas a geração presente ri, e, rindo, orgulhosa e auto-suficiente, dá início a uma nova série de erros e mal-entendidos, dos quais mais tarde zombarão seus descendentes.