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2.6.12


AUSTEN, Jane. Persuasion

 ‘Perhaps I shall. – Yes, yes, if you please, no reference to examples in books. Men have had every advantage of us in telling their own story. Education has been theirs in so much higher a degree; the pen has been in their hands. I will not allow books to prove any thing.’

AUSTEN, Jane. Persuasion

‘Yes. We certainly do not forget you, so soon as you forget us. It is, perhaps, our fate rather than our merit. We cannot help ourselves. We live at home, quiet, confined, and our feelings prey upon us. You are forced on exertion. You have always a profession, pursuits, business of some sort or other, to take you back into the world immediately, and continual occupation and change soon weaken impressions.’

7.2.12

SARAMAGO, José. Claraboia

A poesia é, talvez, como uma fonte que corre, é como a água que nasce da montanha, simples e natural, gratuita em si mesma. A sede está nos homens, a necessidade está nos homens, e é só porque elas existem que a água deixa de ser desinteressada. Mas será assim a poesia? Nenhum poeta, como nenhum homem, seja ele quem for, é simples e natural. E Pessoa menos que qualquer outro. Quem tiver sede de humanidade não a irá matar nos versos de Fernando Pessoa: será como se bebesse água salgada.
LA BRUYÈRE. Caractères

Tudo esta dito, e chegamos demasiado tarde, há mais de sete mil anos que há homens, e que pensam.
SCHNEIDER, Michel. Voleurs de mots

De quê é feito um texto? Fragmentos originais, reuniões singulares, referências, acidentes, reminiscências, empréstimos voluntários. De quê é feita uma pessoa? Pedaços de identificação, imagens incorporadas, traços de caracteres assimilados, o todo (se se pode dizer assim) formando uma ficção chamado eu.

11.1.12

STEVENSON, Robert Louis. Dr. Jekyll and Mr. Hyde

With every day, and from both sides of my intelligence, the moral and the intellectual, I thus drew steadily nearer to that truth by whose partial discovery I have been doomed to such dreadful shipwreck: that man is not truly one, but truly two.

23.11.11

BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoiévski

A vida é dialógica por natureza. Viver significa participar do diálogo: interrogar, ouvir, responder, concordar, etc. Nesse diálogo o homem participa inteiro e com toda a vida: com os olhos, os lábios, as mãos, a alma, o espírito, todo o corpo, os atos. Aplica-se totalmente na palavra, e essa palavra entra no tecido dialógico da vida humana, no simpósio universal.
BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoiévski

Ser significa ser para o outro e, através dele, para si. O homem não tem um território interior soberano, está todo e sempre na fronteira olhando para dentro de si ele olha o outro nos olhos ou com os olhos do outro.
BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoiévski

O próprio ser do homem (tanto interno quanto externo) é convívio mais profundo. Ser significa conviver.

20.5.11

SARAMAGO, José. A jangada de pedra

Para que as coisas existam duas condições são necessárias, que homem as veja e homem lhes ponha nome.
SARAMAGO, José. A jangada de pedra

Quando os homens forem todos poetas param de escrever versos.

18.4.11

YOURCENAR, Marguerite. Memórias de Adriano

Acreditei, e nos meus bons momentos ainda acredito, que seria possível partilhar da existência de todos os homens e que essa simpatia seria uma das formas irrevogáveis da imortalidade. Momentos houve em que essa compreensão tentou ultrapassar o humano, indo do nadador à própria vaga. Mas ali nada de positivo me foi explicado porque entrara no domínio das metamorfoses do sonho.

1.9.10

GAUTIER, Théophile. Capitão fracasso

O riso não é absolutamente cruel por natureza; ele distingue o homem do animal, e é, como aparece na Odisséia de Homero, poeta grego, o apanágio dos deuses imortais e bem-aventurados que riem olimpicamente toda a sua bebedeira durante os lazeres da eternidade.

1.7.10

ROSENFELD, Anatol. Literatura e personagem

Um homem só nos é conhecido quando morre.