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9.11.11

ROSA, Guimarães. Carta a Günther Lorenz

(...) meu método (de escrever) implica na utilização de cada palavra como se ela tivesse acabado de nascer, para limpá-la das impurezas da linguagem cotidiana e reduzi-la a seu sentido original. Por isto (...), eu incluo em minha diccção certas particularidades dialéticas (sic) de minha região, que (...) ainda têm sua marca original, não estão desgastadas e quase sempre são de uma grande sabedoria lingüística” (p.46).

20.5.11

SARAMAGO, José. A jangada de pedra

Seria tudo mais fácil de entender se confessássemos, simplesmente, o nosso infinito medo, esse que nos leva a povoar o mundo de imagens à semelhança do que somos ou julgamos ser, salvo se tão obsessivo esforço é, pelo contrário, uma invenção da coragem, ou a mera teimosia de quem se recusa a não estar onde o vazio estiver, a não dar sentido ao que sentido não terá. Provavelmente, o vazio não pode ser preenchido por nós, e isso a que chamamos sentido não passará de um conjunto fugaz de imagens que num certo momento pareceram harmoniosas, ou onde a inteligência em pânico tentou introduzir razão, ordem, coerência.

19.5.11

LISPECTOR, Clarice. Água viva

Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.