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24.4.12


PAZ, Octavio. Os filhos do barro

A história de cada literatura e de cada arte, a história de cada cultura, pode dividir-se entre imitações felizes e imitações infelizes. 

7.2.12

BARTHES, Roland. O rumor da língua

Na literatura, tudo existe: o problema é saber onde.
SAMOYAULT, Tiphaine. A intertextualidade

A literatura se escreve com a lembrança daquilo que é, daquilo que foi.
LARBEAU, Valéry. Sous l'invocation de Saint Jérôme

O fato mesmo de que isto, este verso, esta frase entre aspas venha de outro lugar, alarga o horizonte intelectual que traço em torno do leitor. É um apelo ou antes uma chamada, uma comunicação estabelecida: toda a Poesia, todo o tesouro da literatura evocados brevemente, relacionados com minha obra no pensamento daquele que lê.

11.1.12

WOOD, James. Como funciona a ficção

A casa da ficção tem muitas janelas, mas só duas ou três portas.
WOOD, James. Como funciona a ficção

A literatura nos ensina a notar melhor a vida; praticamos isso na vida, o que nos faz, por sua vez, ler melhor o detalhe na literatura, o que, por sua vez, nos faz ler melhor a vida. E assim por diante.

24.11.11

BEZERRA, Paulo. O laboratório do gênio (posfácio de O duplo)

Literatura é arte feita de discurso, e arte é incompatível com literalidade, logo, o tradutor deve praticar a fidelidade ao espírito da obra, ao clima dos diálogos, deve encontrar o tom (...). Há momentos em que não basta ao tradutor conhecer o significado das palavras da língua de partida; precisa aprender a senti-las, saber captar a afetividade da sua entonação para interpretar seu real sentido e trazê-lo para a língua de chegada em linguagem adequada. Para tanto é mister que fale fluentemente a língua de partida, para poder ouvir sua oralidade e entender o que um escritor faz dela, porque o tradutor não traduz língua, traduz linguagem. E toda linguagem tem sua carga específica de afetividade, modo de ser da subjetividade das criaturas do mundo real convencionadas como personagens.

9.11.11

CHKLOVSKI. Os formalistas russos

Se examinarmos as leis gerais da percepção, vemos que, uma vez tornadas habituais, as ações tornam-se também automáticas (...). E eis que para devolver a sensação de vida, para sentir os objetos, para provar que pedra é pedra, existe o que se chama arte. O objetivo da arte é dar a sensação do objeto como visão e não como reconhecimento; o procedimento da arte é o procedimento da singularização dos objetos e (...) consiste em obscurecer a forma, aumentar a dificuldade e a duração da percepção.

15.9.11

AMADO, Jorge. O país do carnaval

- O caso das nossas gerações é o mesmo que o da literatura de antes e de depois da Guerra... Uma literatura de frases: a outra, literatura de idéias.

- Não é assim. Mas, mesmo que fosse, eu ficaria com a literatura de antes da Guerra. Eu, quando leio um artigo, não quero saber se o seu autor tem ou não boas idéias, se é ou não útil. O que eu quero saber é se ele é ou não escritor, se escreve bem ou mal. Mas a verdade é que a literatura anatoliana tinha também idéias. Dava soluções. Mandava que se duvidasse sempre. É ou não uma solução? Colocava a Beleza acima de todas as coisas. Vocês aceitam Deus porque Deus é útil. Nós o negávamos porque achávamos que ele não satisfazia nosso ideal estético.

- Vocês eram terrivelmente egoístas. Ególatras, às vezes.

- E vocês praticam o egoísmo na sua forma mais torpe: o humanitarismo. Nós queríamos a aristocracia do talento, do espírito. Vocês hoje pleiteiam a aristocracia da força. Vocês fazem com que a inteligência abra falência... Só a cultura fica valendo alguma coisa. Porque só a cultura é útil.

- Mas vocês foram fracassados.

- Sim, porque toda vitória na vida é um fracasso na Arte...

- Já passou a época dos paradoxos, Ticiano.

- É verdade. E chegou a das citações...

31.8.11

CARPEAUX, Otto Maria. O brasileiríssimo José Lins do Rego

O que são as doenças para o médico são os problemas para o crítico literário: sugerem-lhe dúvidas e admirações, arrancam-lhe golpes e aplausos, provocam-lhe a suprema alegria da interpretação. Pois, "do encontro da dor e do instinto de criação, nascem as obras de arte" (Thomas Mann). Os fatos, contam-se; os problemas, interpretam-se.

26.7.11

WOOLF, Virginia. Jacob's room

Shawled women carry babies with purple eyelids; boys stand at street corners; girls look across the road — rude illustrations, pictures in a book whose pages we turn over and over as if we should at last find what we look for. Every face, every shop, bedroom window, public-house, and dark square is a picture feverishly turned — in search of what? It is the same with books. What do we seek through millions of pages? Still hopefully turning the pages — oh, here is Jacob’s room.

5.7.11

BORGES, Jorge Luis. O fazedor

Porque no princípio da literatura está o mito, e igualmente no fim.