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19.3.12

CALVINO, Italo. As cidades invisíveis

A mentira não está no discurso, mas nas coisas.
CALVINO, Italo. As cidades invisíveis

É uma cidade igual a um sonho: tudo o que pode ser imaginado pode ser sonhado, mas mesmo o mais inesperado dos sonhos é um quebra-cabeça que esconde um desejo, ou então o seu oposto, um medo. As cidades, como os sonhos, são construídas por desejos e medos, ainda que o fio condutor de seu discurso seja secreto, que as suas regras sejam absurdas, as suas perspectivas enganosas, e que todas as coisas escondam uma outra coisa.

20.5.11

SARAMAGO, José. A jangada de pedra

Para que as coisas existam duas condições são necessárias, que homem as veja e homem lhes ponha nome.

9.7.10

SCHWARTZ, Delmore. Summer knowledge

If you look very long at anything
It will become extremely interesting;
If you look very long at anything
It will become rich, manifold, fascinating.

1.7.10

WOOLF, Virginia. Orlando

coisas que, fora do seu lugar, não têm encanto, mas no lugar próprio são positivamente de uma beleza deslumbrante.
WOOLF, Virginia. Orlando

Todas as coisas se apresentam com o seu mais suave aspecto, e, quando pareciam prestes a dissolver-se, alguma gota de prata as reavivava e animava. Assim deveria ser a conversação, pensava Orlando (deixando-se conduzir por absurdos sonhos); assim deveria ser a sociedade, deveria ser a amizade, deveria ser o amor. Pois – os céus saberão por quê – quando perdemos a fé no convívio humano, a casual disposição de uns galpões e de umas árvores ou de umas medas e um carro se nos apresenta como símbolo tão perfeito do inatingível que recomeçamos outra vez a busca.