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2.6.12


AUSTEN, Jane. Persuasion

 ‘Perhaps I shall. – Yes, yes, if you please, no reference to examples in books. Men have had every advantage of us in telling their own story. Education has been theirs in so much higher a degree; the pen has been in their hands. I will not allow books to prove any thing.’

21.3.12

WOOLF, Virginia. O quarto de Jacob

Cada rosto, cada loja, janela de quarto de dormir, prédio público, praça escura, é uma ilustração que viramos febrilmente – à procura de quê? Com os livros acontece a mesma coisa. O que buscamos em milhões de páginas? E ainda viramos páginas, cheios de esperança... Ah, aqui está o quarto de Jacob.
WOOLF, Virginia. O quarto de Jacob

Cada um trazia o passado trancafiado dentro de si, como páginas de um livro conhecido de cor; e os amigos só podiam ver o título, James Spalding, ou Charles Budgeon, e os passageiros que seguiam em direção oposta não podiam ler coisa alguma exceto “homem de bigode vermelho”, “rapaz de cinza fumando cachimbo”.

7.2.12

NODIER, Charles. Questions de littérature légale

E vocês querem que eu, plagiário dos plagiários de Sterne
--
Que foi plagiário de Swift --
Que foi plagiário de Wilkins --
Que foi plagiário de Cyrano --
Que foi plagiário de Reboul --
Que foi plagiário de Guillaume des Autels --
Que foi plagiário de Rabelais --
Que foi plagiário de Morus --
Que foi plagiário de Erasmo --
Que foi plagiário de Lucien -- ou de Lucius de Patras -- ou de Apuleio -- pois não se sabe qual dos três foi roubado pelos dois outros, e nunca me preocupei em sabê-lo...
Vocês gostariam, repito, que eu inventasse a forma e o fundo de um livro! Que o céu me ajude! Condillac diz em algum lugar que seria mais fácil criar um mundo do que criar uma ideia.
E é também opinião de Polydore Virgile e de Bruscambille.

BARTHES, Roland. Teoria do texto.

Todo texto é um tecido novo de citações passadas.
MALLARMÉ. (Sem referência)

Mais ou menos todos os livros contêm a fusão de alguma repetição esperada.

11.1.12

MÁRAI, Sándor. As brasas

Mas tem que ser assim: só podemos compreender o essencial partindo dos detalhes, esta é a experiência que tirei tanto dos livros como da vida. É preciso conhecer todos os detalhes, porque nunca se pode saber qual será importante depois, e que palavras esclarecerão alguma coisa.

26.7.11

WOOLF, Virginia. Jacob's room

Shawled women carry babies with purple eyelids; boys stand at street corners; girls look across the road — rude illustrations, pictures in a book whose pages we turn over and over as if we should at last find what we look for. Every face, every shop, bedroom window, public-house, and dark square is a picture feverishly turned — in search of what? It is the same with books. What do we seek through millions of pages? Still hopefully turning the pages — oh, here is Jacob’s room.

20.5.11

LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela

Com esta história eu vou me sensibilizar, e bem sei que cada dia é um dia roubado da morte. Eu não sou um intelectual, escrevo com o corpo. E o que escrevo é uma névoa úmida. As palavras são sons transfundidos de sombras que se entrecruzam desiguais, estalactites, renda, música transfigurada de órgão. Mal ouso clamar palavras a essa rede vibrante e rica, mórbida e obscura tendo como contratom o baixo grosso da dor. Alegro com brio. Tentarei tirar ouro do carvão. Sei que estou adiando a história e que brinco de bola sem a bola. O fato é um ato? Juro que este livro é feito sem palavras. É uma fotografia muda. Este livro é um silêncio. Este livro é uma pergunta.

25.4.11

HATOUM, Milton. Relato de um certo oriente

Era como se inventasse uma verdade duvidosa que pertencia a ele e a outros. Fiquei surpreso com essas coincidências, mas, afinal, o tempo acaba borrando as diferenças entre a vida e um livro. E, além disso, o que surpreende um homem hoje deverá surpreender, algum dia, toda a humanidade.

1.9.10

PROUST, Marcel. Sobre a leitura

Mas por uma lei singular e, aliás, providencial da ótica dos espíritos (lei que talvez signifique que não podemos receber a verdade de ninguém e que devemos criá-la nós mesmos), o que é o fim de sua sabedoria não nos aparece senão como o começo da nossa, de sorte que é no momento em que eles nos disseram tudo que podiam nos dizer que fazem nascer em nós o sentimento de que ainda nada disseram.

31.7.10

MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura

Cada livro foi gerado por uma longa sucessão de outros livros cujas capas talvez jamais tenhamos visto e cujos autores talvez jamais conheçamos, mas que ressoa naquele que temos em mãos.
MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura

Dizer que um autor é um leitor, ou um leitor, um autor, considerar um livro como um ser humano ou um ser humano como um livro, descrever o mundo como texto ou um texto como o mundo são formas de nomear a arte do leitor.

3.7.10

BORGES, Jorge Luis. Lecturas

Un libro es una cosa dentre las cosas, un volumen perdido entre los volúmenes que pueblan el indiferente universo, hasta que da con su lector, con el hombre destinado a sus símbolos. Ocurre entonces la emoción singular llamada belleza... Ojalá seas el lector que este libro aguardaba.